Geografia Física

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Terremotos: o que são, como se formam?

Léo Miranda

10 de abril de 2014

terremoto

Por que ocorrem terremotos e erupções vulcânicas?  Essa e outras perguntas sempre nos intrigam quando acompanhamos alguma notícia sobre tragédias motivadas por desastres naturais relacionados a dinâmica da superfície terrestre.  O entendimento desses fenômenos naturais passa pela compreensão de alguns fatores ligados a composição e o comportamento interno da Terra.

Há 4 bilhões e  560 milhões de anos atrás (tempo geológico), a Terra era uma imensa esfera de rocha fundida, com uma grande concentração de cinco elementos básicos: ferro, níquel, magnésio, silício e alumínio. Com o passar do tempo (geológico), nosso planeta começou a esfriar literalmente “de fora para dentro”. Dessa forma, o ferro e o níquel, elementos de maior densidade, se deslocaram para o núcleo (parte mais interna da Terra).  Na superfície (crosta) foram formadas rochas ricas em silício e alumínio, além de silício e magnésio.  Entre o núcleo e a crosta, formou-se um camada espessa rica em silício e magnésio, denominado manto.

As altas temperaturas presentes no núcleo (próximas de 6.000o C), permitiram a transmissão do calor entre as camadas terrestres por meio do processo físico de convecção (o mesmo que nós observamos ao ferver a água para fazer café). Com isso, na parte superior do manto (manto superior ou astenosfera), o material dúctil (maleável) chamado de magma passou a se direcionar de grandes profundidades até para próximo da superfície. A medida que o magma se deslocava para a topo do manto,  sua densidade se elevava (por estar mais “pesado”), e assim retornava para as partes mais baixas do manto superior.

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Esse movimento é denominado “corrente de convecção” . São elas (as correntes de convecção), as responsáveis pelo movimento da crosta continental e oceânica, que literalmente “deslizam” sobre o manto. Nos anos 1960, um grupo de cientistas estadunidenses conseguiu decifrar e descrever parcialmente os mecanismos relacionados aos movimentos das placas tectônicas. Descobriu-se grande fendas nos oceanos por onde o magma extravasa na forma de lava vulcânica. Esse material é literalmente “derramado” no leito marinho, e por estar sob a ação de grande pressão, acaba por ocasionar o afastamento (separação) da crosta oceânica, com a consequente formação das fendas, mais conhecidas como Dorsais Mesoceâncias (dorsal, por se assemelhar a espinha dorsal humana).

No entanto, como dois corpos não ocupam o mesmo espaço, os “pedaços” separados irão convergir contra outras porções da crosta que também passam pela mesma situação (existe mais de uma dorsal). Esses “pedaços” da crosta foram designados como “placas tectônicas” (tecton vem do grego, significa rocha). As placas tectônicas podem ser de origem oceânica, como também continental, ou ainda mistas (tanto oceânica, quanto continentais).

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Ao colidirem, a força liberada é tamanha que as áreas de atrito literalmente se dobram (como você faz ao enrugar uma folha de papel), e liberam uma enorme quantidade de energia. Essa energia se propaga de sua origem (foco ou hipocentro), no interior da crosta, até a superfície (epicentro), onde se concentram os estragos causados pelos terremotos.

 

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Obs: as fotos são da Cordilheira dos Andes, um  dobramento moderno, ou seja, uma cadeia de montanhas localizada no oeste da América do Sul,  formada por meio do movimento convergente (choque) entre placas tectônicas.

Os terremotos estão ligados, então, a liberação de energia (tensão) que se propagada pela superfície. A intensidade dos abalos sísmicos (terremotos), é avaliada de acordo com duas escalas, a Mercalli, criada em 1902, e a Richter, elaborada em 1935. A primeira escala, a Mercalli, avalia os danos produzidos em estruturas e percebidos pelas pessoas que se encontram nas proximidades do abalo. A classificação dos terremotos depende então do registro da quantidade de estragos originados pelo sismo. Terremotos que ocorrem em áreas pouco habitadas produzem poucos estragos (como em desertos, florestas, etc), dessa forma apresentam baixa classificação na escala Mercalli (1 ou valores próximos). Por outro lado, um abalo em áreas urbanas tende a produzir grande destruição, o que leva a uma classificação mais elevada, podendo chegar até o nível 12 (máximo).

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A escala Richter é denominada logarítmica, o que equivale dizer que  cada ponto aumentado na classificação do terremoto corresponde a 10  vezes a força da pontuação anterior. Assim, um abalo sísmico de 4 graus tem 10 vezes mais intensidade do que um abalo de 3 graus, e é 100 vezes mais intenso do que outro abalo de grau 2, ou ainda 1000 vezes mais intenso que um terremoto de grau 1.

Quando o epicentro dos terremotos encontra-se no leito marinho, a propagação da ondas sísmicas desloca a água com grande velocidade em direção a costa.  Denominados  “tsunamis” (ondas de porto, em japonês), ou “maremotos”, essas grandes ondas aumentam de amplitude à medida que  aproximam-se  da costa, basicamente em virtude da redução da profundidade do leito marinho. Como as ondas sísmicas propagam-se com grande velocidade, o primeiro fato observado por quem está na praia é o “retorno” da água para o interior do mar (como se a água estivesse sendo sugada).  Isso ocorre em consequência da compensação de massa realizada entre a base da onda, geralmente mais lenta, e o topo da onda (a famosa crista), normalmente mais rápida do que a base.

O poder de destruição dos tsunamis é enorme. As ondas se propagam em todas as direções nos oceanos (da mesma forma quando nos lançamos uma pedra na água). Dessa forma, as vezes locais distantes do epicentro do terremoto podem sofrer as consequências da onda.

É preciso destacar que os terremotos podem ocorrer tanto em áreas de choque de placas tectônicas, quanto nos locais em que elas elas deslizam lateralmente (movimento conversativo), caso da costa oeste dos Estados Unidos. Entre outras causas possíveis de terremotos, estão as erupções vulcânicas, ou mesmo grandes explosões (Ex: o teste de um bomba nuclear pela União Soviética em 1962, produziu um abalo sísmico de 7 pontos na escala richter na região de teste inabitada).

 Galera, irei detalhar mais os movimentos das placas tectônicas, e suas consequências!

Forte abraço,

Léo!